Bom, se você é um gamer "normal" (adulto... SIM, adulto, segundo alguns estudos que já vi por aí e colocarei algum dia para mostrar como não sou mentiroso!) com certeza já recebeu algum tipo de preconceito por causa deste hobby. Provavelmente te falaram algo como "jogos são para crianças", ou "você não tem mais idade para isso". Bom, o provável motivo para esta "abordagem", diríamos assim, é a falta de informação. Hoje em dia são gastos milhões de dólares para a produção de um único game, muitas vezes passando (e muito) as maiores produções hollywoodianas.
Um dos grandes problemas para nós, gamers brasileiros, é o descaso do governo/imprensa com nossos brinquedinhos. O governo não entende que nós (infelizmente) não temos um mercado interno forte, e por isso continua taxando absurdamente os videogames como "medida proteccionista". Taxando um XBOX360, ou um PLAYSTATION3, ou um WII, a quem o governo esta protegendo mesmo? Qual console nacional se torna mais competitivo com esta medida? Bom, esta é uma pergunta que ninguém pode responder.
A imprensa (não especializada, que fique claro!) não abre espaço para os games. Alguém, se lembra da ultima propaganda de um jogo que tenha passado no horário nobre da TV aberta? Nem eu. A imprensa especializada faz a sua parte, correndo atrás do governo, das produtoras, tentando buscar uma resposta para os altos preços, mas o resultado disso tudo fica restrito a pessoas como eu que compram revistas de videogame, apesar dos 22 anos na cara e de ter que andar escondido com elas pra não ser taxado de nerd.
A pessoa que me vê com uma revista de jogos e me chama de nerd, será que ela sabe a evolução que os games tiveram nos últimos 20 anos? Será que ela sabe que a história de um game hoje em dia é algo profundo, totalmente imergente, ou pensa que o joguinho que eu jogo se limita a apertar botões e matar chefões e passar de fase e voltar a apertar botões e matar outros chefões?
Para começar com um exemplo prático, vou direto a um dos jogos mais adultos que já joguei. Em Fable (XBOX, PC) você tem total liberdade de escolha. Algo já visto em GTA? Em que você sai matando quem quiser, na hora que quiser, fazendo as missões que quiser... Mas isso é só diversão, mato quem eu quero, a hora que eu quero, e a história continuaria do mesmo jeito se eu não tivesse matado aquela pessoa. Mas em Fable as coisas funcionam diferente. Você é uma pessoa do bem, se matar um cidadão cometeu um crime! Se entrar na casa de alguém sem autorização, cometeu um crime! Se roubar, ta cometendo mais um crime! Não é porque você é herói que pode fazer quantos crimes quiser que o mundo continua te idolatrando. Quanto mais ações ruims você cometer, pior fica tua reputação, e você pode se tornar um vilão, odiado por toda a população, temido por todos. Ou segue tua vidinha "ruim" de herói, sendo idolatrado por todos, tendo todas as mulheres aos seus pés, exibindo troféus para impressionar a todos e mostrar o que você fez com aquele mosntro que todos morriam de medo!
"Nossa, parece fantástico, e sabe de uma coisa... Até que jogos não são assim, só coisa de criança não!" Pois é... E se você pensa que acaba por aí a criatividade de Peter Molyneux, a mente criativa por trás de Fable, está enganado! Já foi anunciada uma continuação, com níveis de imersão jamais vistos em um jogo (isso é história para um outro dia), e que mudarão de vez a visão de brincadeira de criança que as pessoas têm dos jogos. Mas para isso o jogo precisa chegar a uma parcela maior de pessoas, com impostos menores, com maior divulgação da imprensa, com matérias no fantástico e no jornal nacional (custa sonhar?), para que, mesmo depois de atingido um nível de realidade e de imersão incríveis e maiores que qualquer outra forma de cultura (você sabe que games são considerados uma forma de cultura, inclusive pelo nosso jurássico governo, não sabe?), nós não continuemos sofrendo com o pré-conceito ao qual somos expostos.
Fica aqui meu sonho/protesto/opinião, e espero começar aqui mais um meio de divulgação para este assunto que nunca é levado a sério, mas que este pré-conceito está com os dias contados (ao menos se depender de mim).
Concorda, discorda, tem uma história para contar? Fique a vontade, este espaço também é seu!
segunda-feira, 4 de junho de 2007
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